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quinta-feira, 28 de maio de 2009

Texto de Antônio Ermírio de Moraes.

"Se você ainda não sabe qual é a sua verdadeira vocação, imagine a
seguinte cena:
Você está olhando pela janela, não há nada de especial no céu, somente
algumas nuvens aqui e ali.
Aí chega alguém que também não tem nada para fazer e pergunta:
- Será que vai chover hoje?
Se você responder "com certeza"... A sua área é Vendas:
O pessoal de Vendas é o único que sempre tem certeza de tudo.
Se a resposta for "sei lá, estou pensando em outra coisa"... então a sua
aérea é Marketing:
O pessoal de Marketing está sempre pensando no que os outros não estão
pensando.
Se você responder "sim, há uma boa probabilidade"... você é da área de
Engenharia:
O pessoal da Engenharia está sempre disposto a transformar o universo
em números.
Se a resposta for "depende"... você nasceu para Recursos Humanos:
Uma área em que qualquer fato sempre estará na dependência de outros
fatos.
Se você responder "ah, a meteorologia diz que não"... você é da área de
Contabilidade:
O pessoal da Contabilidade sempre confia mais nos dados no que nos
próprios olhos.
Se a resposta for "sei lá, mas por via das dúvidas eu trouxe um
Guarda-chuvas":
Então seu lugar é na área Financeira que deve estar sempre bem
preparada para qualquer virada de tempo.
Agora, se você responder "não sei"...
há uma boa chance que você tenha uma carreira de sucesso e acabe
chegando a diretoria da empresa. De cada 100 pessoas, só uma tem a
coragem de responder "não sei" quando
não sabe.
Os outros 99 sempre acham que precisam ter uma resposta pronta, seja
ela qual for, para qualquer situação.
"Não sei" é sempre uma resposta que economiza o tempo de todo mundo, e
pré-dispõe os envolvidos a conseguir dados mais concretos antes de
tomar uma decisão.
Parece simples,
Mas responder "não sei" é uma das coisas mais difíceis de se aprender
na vida corporativa.
Por quê?
Eu sinceramente "não sei".

(Antônio Ermírio de Moraes)








sexta-feira, 15 de maio de 2009

A humildade
Ricardo Gondim

Sobre a humildade, concordo com André Comte-Sponville: “Não é a ignorância do que somos, mas, ao contrário, conhecimento, ou reconhecimento de tudo o que não somos”. É a admissão de que cheguei onde estou sem gabar-me: “sou o que sou pela graça”.

Quando penso em humildade, acompanho Dwight Moody: “O homem pode demonstrar um falso amor, uma falsa fé, uma falsa esperança e outras graças, mas jamais poderá simular humildade”. Também concordo com Stanley Jones: “A essência do divino é a humildade. O primeiro passo para encontrar a Deus é destruir nosso orgulho”.

A humildade não sobrevive sem que se aniquilem as falsas onipotências. O petulante não admite fragilidades, não reconhece limites, não aceita inadequações. O soberbo se embrutece porque é insaciável. Apropria-se da pergunta do poeta: “Por que não é infinito o poder humano, como o desejo?” Dionisíaco, atropela quem estiver na frente. Odeia ser frustrado.

Spinoza dizia que “a humildade é uma tristeza nascida do fato de o homem considerar sua impotência ou sua fraqueza”. Nietzsche bateu o martelo: “Conheço-me demais para me glorificar do que quer que seja”. E Comte-Sponville conclui: “O que é mais ridículo do que bancar o super-homem?... A humildade é o ateísmo na primeira pessoa: o homem humilde é ateu de si, como o não-crente o é de Deus”.

A humildade e a gratidão necessitam uma da outra. O humilde sabe que não se fez; não é o self-made man, que se recusa a reconhecer os que lhe ajudaram nos primeiros degraus. Sente-se devedor dos pais que se sacrificaram para que estudasse, dos professores que lhe incutiram valores, dos amigos que nunca censuraram na vergonha, dos poetas que traduziram beleza, dos profetas que lhe falaram em nome de Deus. Nos solilóquios, repete: “Não sou a causa de mim mesmo; vejo nos outros a raiz da minha alegria; celebro o meu presente como um dom".

A humildade é esvaziamento. O prepotente não consegue amar. Só quem abre mão dos controles sabe deixar-se invadir pela compaixão.

Simone Weil afirmou que “o amor consente tudo e só comanda os que consentem em ser comandados”. Amor é renúncia. Não existe a possibilidade de coerção e amor se misturarem. O pretensioso é inflexível, impaciente e estúpido. O humilde recua, na recusa de exercer força, poder, violência.

A humildade é demasiadamente discreta. Se pretendo, um dia, ser humilde ninguém pode perceber. Mas, espero aprender a não cobiçar a divindade.

Soli Deo Gloria


segunda-feira, 11 de maio de 2009